terça-feira, 30 de junho de 2015

Diário Sonoro - Parte I



Som , Ruído e Silêncio. Aparentemente palavras opostas, mas que se entrelaçam em suas bases.
Conforme o livro O Som e o Sentido de José Miguel Winisk, som, ruído e o silêncio são conceitos dinâmicos, porém inteiramente relacionados e que portanto sua definição depende do indivíduo exposto a esse processo físico.

A música por exemplo, quando nos referimos à preferências musicais um determinado gênero pode entrar numa classificação de ruído, pois para o ouvinte o som proveniente da mesma acarreta numa sensação de desordem, irritante, causando desconforto. Diferentemente para quem aprecia o determinado estilo musical, sendo para este um som agradável.

Mas ruído não se classifica apenas sob a ótica de gostos. Trata-se ainda dos malefícios causados pelo excesso, volume e repetições de determinados sons. Seja no trânsito, no trabalho ou aglomeração de pessoas, o som criado nessas situações podem ser altamente prejudicial às pessoas expostas e até mesmos aos animais que habitam os arredores desses locais.

Tomando como base o artigo Poluição sonora como crime ambiental de Anaxágora Alves Machado a autora trata o assunto muito além do desconforto auditivo, trata como um problema grave de saúde. Para tanto a autora aponta a audição como um importante mecanismo de equilíbrio do corpo humano, sendo que sua perda provocaria um importante desiquilíbrio mental e físico para o indivíduo.

É importante ainda ressaltar que os habitantes das cidades ficam mais expostos ao perigo do ruído, e consequentemente estão mais vulneráveis aos perigos que estão relacionados ao problema, que vai desde a simples e não menos importante perda do sono, irritação, estresse e desequilíbrio mental e físico. No entanto, isso não significa que pessoas mais afastadas dos grandes centros e até mesmo zona rual não se exponham ao perigo. Isso se dá não pela grande frota de veículos automotores, como no caso das grandes cidades, mas porque o ruído está presente até mesmo em nossas casas através dos aparelhos usados no nosso dia-a-dia.

Para complementar todas essas reflexões não podemos deixar de considerar o lado positivo do som. Uma recordação, atividades físicas, o ato de dirigir, um filme ou simplesmente um poema em forma de música, tudo isso não teria o mesmo impacto se não tivesse agregado a esses momentos um enredo musical, uma melodia. O som em sua forma mais genuína, a música, tem o poder nos acalmar, agitar e encorajar para tomadas de ações. O som nos representa.

Prova desse poder de representação que o  vídeo O Som e o Sentido- Uma História das músicas de José Miguel Wisnik traz uma composição de sons que rapidamente o ouvinte associa a povos, rituais e objetos. E as diversas amplitudes do som nos imprimi um poder de atenção impressionante e essa atenção reforça nossa imaginação a tal ponto que chegamos a enxergar um cenário e ações que o vídeo nos remete.

Por fim, como foi proposto gravei em três momento do meu dia um áudio para analisar os diversos sons presentes. Curiosamente em nenhum deles o silêncio foi possível. Já que onde há vida há movimento e onde há movimento há som.








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