Na última parte do módulo Diário Sonoro fomos levados a refletir sobre o ato de ouvir e escutar, através de uma dinâmica percebemos de forma clara a diferença existente entre elas. Enquanto o ato de ouvir é automático, fisiológico o escutar existe um lado mais solidário seja com o outro, seja conosco mesmo. Não podemos deixar de considerar o interesse que nos move em busca de um objetivo e assim desprendemos tempo, atenção e nosso próprio organismo a favor desses interesses. A escuta não é algo simultâneo como ocorre com o ouvir, ela é processual exige um contexto sócio-cultural do indivíduo para que a gama de informações capitadas através do ouvir possam ser processadas e assimiladas pelo ouvinte e a partir daí toma-se uma decisão, que pode ser o simples ato de só escutar.
Nessa troca de fala e escuta proporcionado pela professora pode-se notar o quanto é difícil simplesmente escutar, mas o quanto ela pode ser um gesto de generosidade favorecendo um convívio harmonioso e ampliando o aprendizado.
Agora, não há dúvidas de que o momento mais interessante ficou para a última parte da aula. Enquanto na primeira parte do diário de bordo nós alunos socializamos sons de momentos distintos do nosso dia, expressamos nossas percepções ou a falta dela e focamos nas variações de amplitudes de sons captados, nesta segunda parte a professora nos levou a refletir quanto a ausência total de sons. Como o indivíduo que nunca ouviu se relaciona com o meio? E para aqueles que já ouviram, como se adaptaram com a perda da audição?
Essas respostas nos foram dadas pelos três palestrantes surdos convidados. Eles relataram como a sociedade e a família de cada um deles lidam com a surdez.
Nos relatos cheios de emoções, pudemos notar o preconceito, o despreparo da família, podendo ser explicado pela questão financeira, e a ineficiência das escolas que não dão condições adequadas para proporcionar um ensino de qualidade. Além disso como frisou bem a professora Denise, soma-se o medo do novo. Muitos não buscam tratamento pelo receio de ir de encontro ao desconhecido.
Além de tudo o que já expus até aqui, algumas outras informações obtidas me chamaram à atenção, dentre elas posso citar:
- A dificuldade ao acesso à língua de sinais (LIBRAS);
- A que o surdo não tem nenhuma deficiência na voz, prova disso que uma das palestrantes fala. (ela perdeu a audição aos 12 anos);
- A capacidade de atenção e visão ampliada dos surdos;
- A falta de acessibilidade por parte do poder público.
Por fim, quero registrar que essa foi para mim a melhor aula do componente até o momento.

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