terça-feira, 21 de julho de 2015

Pensar o Sensível

"O mundo é aquilo que seus sentidos permite que ele seja"
(Edneia Vidal)
A última aula (14/07/2015) teve como tema Pensar o Sensível. Através do texto “O SENTIDO DOS SENTIDOS: A EDUCAÇÃO (DO) SENSÍVEL- João Francisco Duarte Júnior” e das frases norteadoras das docentes: Márcia Nunes Bandeira Roner, Lívia Santos Lima Lemos e Denise Mourão, fomos levados a refletir sobre como nossa sensibilidade atua em nossas relações pessoais e profissionais, especialmente na área da educação.

A importância de conhecer integralmente o indivíduo para que possamos integrar, ou intervir em seu mundo é essencial para agirmos de forma coerente com sua realidade. Como citaram os autores é preciso conhecer para atuar. A generalização do indivíduo gera uma relação impessoal, fria, distante de atingir um resultado positivo para os envolvidos. É necessário olhar o outro como ser único que possui desejos e necessidades específicos.

Pudemos ainda, repensar o que é realmente importante. Será que somos movidos pelos nossos verdadeiros sentimentos, ou nos deixamos levar pelo o que a sociedade espera de nós? Com a corrida incansável pelo poder, deixamos de nos importar com o que é mais primitivo à nossa existência, o humano, deixamos nossa capacidade de nos sensibilizar com a dor do outro, com o cuidar dos indefesos, com o respeito ao próximo e à natureza, de buscar um convívio harmonioso e principalmente deixamos de ser atuante em defesa do que realmente queremos.

Quando retornamos à infância, fase onde as obrigações passam tangenciando as brincadeiras e percebemos como víamos mais, escutávamos mais, sentíamos mais. Tudo era NOVO, nossos sentidos aguçados permitiam vivenciar emoções verdadeiras. O que mudou?

O que mudou, é que passamos a enxergar com os olhos do futuro e não do presente, buscamos ver agora o que, segundo nossas expectativas, queremos que aconteça amanhã. Antecipamos nossos sentidos para uma realidade que nunca chega. Direcionamos nosso olhar somente para o que oportunamente possa contribuir para alcançar um bom cargo numa determinada empresa, ou para um rapaz que proporcione uma vida conjugal dentro de um padrão social já pré-estabelecido, ou ainda, coisas que realizem sonhos de outros e não os nossos.  Com isso deixamos de viver e passamos a vegetar num mundo onde o saber é mecânico, as relações estratégias e a sensibilidade, sinônimo de fraqueza. Deixamos de ser HUMANO.

Gostaria de fazer uma analogia ao texto de OTTO LARA “Vista Cansada”. Nele tem uma frase que simboliza outra vertente para a anestesia: “De tanto ver, você não vê". Nossos planos e sonhos estão numa caixinha e tudo que está fora dela, mesmo que façam parte de nossas rotinas, não a notamos, o diário ainda que chocante se torna comum. Fechamos nosso mundo e o cercamos pelo egoísmo, o pior é que quase sempre esse cercado só cabe o EU e os outros são imperceptíveis aos seus sentidos.

Outro destaque no texto é a ideologia do coletivo, da ética universal do ser humano, da educação através da troca bilateral entre educador e educando e o respeito à realidade do outro. Isso é nada menos do que a ideologia freiriana (Paulo Freire). O educador como papel de mediador de um ensino sensível, onde sua percepção deve estar entrelaçada com o técnico e o lúdico, o presente e o passado. Formando cidadãos conscientes de seu poder transformador e, assim, responsabilidade mudar o meio em que vive.

Por fim, gostaria de colocar a palavra que mais se repetiu na aula e também a que mais me marcou: RENASCENÇA. Que renasça nossa capacidade de olhar o mundo como um enorme quebra-cabeça e possamos nos posicionar como peça do mesmo, tão importante quanto à outra. Assim como nos quebra-cabeças, na vida não podemos ocupar o lugar de ninguém, todos têm seu espaço e importância, é assim que construímos uma UNIDADE, respeitando e valorizando o papel de cada um.

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